SAF Cerrado 2025
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DEFINIÇÕES
O bioma Cerrado, per si, abriga diversas
fisionomias vegetais, abarcando as formações
florestais (mata ciliar, mata de galeria, mata
seca e cerradão), formações savânicas (Cerrado
típico, vereda) e formações campestres (cam -
pos) (Pontes e Zanatta, 2020). Se a área já estiver muito alterada, é possível observar a
fitofisionomia do entorno como referência. O
escopo deste estudo não foca em aprofundar
nas espécies e questões técnicas da implemen -
tação, de forma que sugere-se apoiar na biblio-
grafia listada para tal.
SISTEMAS AGROCERRATENSES
Proposta de SAFs específicos para as formações savânicas ou campestres do Cerrado.
Dessa forma, é necessário ter uma proporção adequada de espécies agronômicas e nativas.
Entre as nativas, deve-se considerar a distribuição sucessional de espécies com diferentes
formas de vida: herbáceas, arbustivas e arbóreas. Elas devem ser comuns na região e que
promovam a infiltração de água, formação do solo, atração de fauna e adubação. As plantas
agronômicas selecionadas devem estar adaptadas às características do ambiente savânico, e
não devem ter potencial invasor.
No Sistema Agrocerratense sugere-se a pluriatividade econômica, e que sejam incluídas
espécies com as funções: facilitadoras (cobertura do solo e apoio ao desenvolvimento de
outras), diversidade, forrageiras (podem servir de alimentação aos animais e cobertura do
solo), alimentícias, medicinais, estéticas e uso para artesanato (NEA-Cambondá, 2022).
O plantio pode se dar por plantio de mudas ou plantio de sementes em linhas. Para áreas
menores em que não há o desejo de mecanizar, pode-se usar o plantio por muvuca ou lanço
de sementes.DESAFIOS E OPORTUNIDADES
A expansão de SAFs no Cerrado enfrenta
o desafio da escassez de estudos científicos
que fundamentem a aplicação de cada técnica
e diferentes contextos (Cava et al., 2016). As
espécies vegetais savânicas e campestres são
ainda menos estudadas formalmente, o que
justifica abarcar conhecimentos tradicionais na
concepção do sistema (NEA-Cambondá, 2022).
Ainda há outros obstáculos como a baixa
produção e disponibilidade de mudas nativas, o
crescimento lento que demanda o controle das
gramíneas exóticas, a os fatores limitantes do
meio físico, a falta de planejamento adequado e
baixo acesso a mão de obra conhecimento (Cava
et al., 2016, ICRAF). Para pequenos produtores,
os desafios são os baixos preços recebidos pelos
produtos e o baixo domínio das etapas de pro -
dução, que impedem maior aproveitamento dos
produtos e agregação de valor. Para as coope -
rativas, o obstáculo maior é a falta de capital
de giro, a estabilidade, a garantia de preços e
pagamentos à vista, além da falta de crédito.
Já os compradores chamam atenção para a
dificuldade de encontrar fornecedores, da alta
rotatividade destes e dos padrões variáveis de
qualidade do baru fornecido pelos produtores ou
cooperativas (Burgos e Mertens, 2024).
Porém, há uma crescente insurgência de ini -
ciativas que buscam lidar com esses desafios e
construir experiências práticas de implemen -
tação e processamento de produtos típicos do
Cerrado. As oportunidades econômicas dentro da cadeia estão ligadas a um cenário promis -
sor para investimentos em novos produtos e
empreendimentos que priorizam a sustentabi -
lidade e as questões socioambientais, através
de práticas que exercem menor impacto nos
ecossistemas e nas comunidades agroextrati -
vistas. No entanto, essas oportunidades devem
ser igualmente distribuídas entre os diferentes
participantes das várias etapas da cadeia, não só
beneficiando aqueles agentes que dispõem de
maior capital, conhecimento e tecnologia, mas
também o produtores / extrativistas (Burgos e
Mertens, 2024).
Como exemplo, o desenvolvimento da
cadeia produtiva do baru baseada na agricultura
familiar e no extrativismo foi destacado como
uma boa opção para a redução do êxodo rural e,
particularmente, como uma oportunidade para
fomentar a autonomia, a emancipação e o empo -
deramento das mulheres no campo por meio da
ampliação do seu protagonismo na economia
rural (Burgos e Mertens, 2024). Para impulsio-
nar este impacto, sugere-se que sejam priori -
zados contratos de parceria e integração com
agricultores familiares, para que estes tenham
protagonismo sobre a produção e gestão do ter -
ritório. Trabalhando com esse público, também
há necessidade e oportunidade de impulsionar o
acesso a mercados, capacitando os produtores e
cooperativas em tópicos de gestão, fortalecendo
as redes e criando circuitos curtos de comercia -
lização (Burgos e Mertens, 2024).
Capitulo 3: SAFs no Cerrado | 18
Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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