SAF Cerrado 2025
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O IFACC entende sistemas agroflorestais
como sistemas de uso do solo onde espécies
perenes são integradas, simultaneamente, com
cultivos e / ou animais (ICRAF, 1986). Estes siste -
mas são possíveis soluções para a recomposição
de paisagens e florestas, um processo de recu-
peração da funcionalidade ecológica e melhoria
do bem estar humano em paisagens florestais
desmatadas ou degradadas (WRI, 2022). A
restauração florestal se destaca como uma das
principais estratégias para a adaptação às ine -
vitáveis mudanças climáticas, e pode se dar de
diversas formas (IMAFLORA, 2024). Os SAFs
são apontados como uma solução que endereça
as necessidades e potencialidades das pessoas e
comunidades que ocupam os territórios, sendo,
portanto, uma solução para conciliar a produção
de alimentos com a promoção de bens e servi-
ços ambientais (ICRAF, 2016). Além disso, pelo
seu potencial de gerar fluxos de caixa positivos,
as receitas oriundas dos SAFs podem auxiliar a
pagar os custos da restauração em uma proprie -
dade, além de remunerarem mais por unidade
de área do que os cultivos anuais ou a pecuária
(ICRAF, 2016; Nobre e Nobre, 2019).
As diretrizes para alinhamento com a abor -
dagem ambiental e social do IFACC ( Guidelines
for Alignment with Environmental and Social
Approach do IFACC) traz os critérios e requi -
sitos mínimos para que investimentos em sis -
temas agroflorestais e projetos de gestão de
PFNM sejam considerados alinhados à inicia -
tiva. A construção destes critérios se deu com
base em uma extensa revisão de literatura e em
um processo participativo com múltiplas partes
interessadas.
O IFACC estabeleceu dois níveis de requisi-
tos ambientais e sociais com base na dimensão
da propriedade do beneficiário final, com um
critério ambiental mais elevado para os médios
e grandes proprietários.
Para sistemas agroflorestais a serem financia -
dos em pequenas propriedades rurais, comunidades locais e tradicionais, o IFACC considera:
• No mínimo duas espécies simultaneamente,
no estágio maduro;
• A espécie mais importante economicamente
deve ser perene e nativa;
• Espécies exóticas podem ser incluídas se
não forem o principal produto do sistema.
Para sistemas agroflorestais a serem finan-
ciados em médias e grandes propriedades rurais,
o IFACC considera:
• Um mínimo de 5 espécies de árvores/ cultu -
ras, no estágio maduro;
• Pelo menos 3 espécies nativas com ocupa -
ção relevante do sistema em pelo menos
50% da área;
• Para o bioma Amazônia: as principais espé -
cies em termos de ganhos econômicos
devem ser perenes e nativas;
• Para o bioma Amazônia: Uma avaliação de
impacto qualitativa sobre os possíveis efei-
tos que a implementação do projeto poderá
ter nos meios de subsistência dos pequenos
agricultores da região;
• As espécies exóticas podem ser incluídas se
não forem o principal produto do sistema.
Os SAFs são indicados como uma solução
para a restauração produtiva de áreas já aber -
tas, principalmente onde há a necessidade /
interesse de retorno econômico aliado ao res -
tabelecimento dos processos e funções ecoló -
gicas. O fortalecimento das cadeias de produ -
tos da sociobiodiversidade dentro dos sistemas
agroextrativistas é reconhecido como uma das
formas possíveis para promover a conser -
vação e o desenvolvimento sustentável no
Cerrado, e este potencial socioeconômico tem
sido demonstrado por uma crescente de estudos
recentes (Burgos e Mertens, 2024).
No que tange a aplicação de SAFs para res-
tauração de áreas abertas, é previsto no Código Florestal seu uso para recuperar áreas de déficit
de Áreas de Preservação Permanente - APP e
Reserva Legal – RL, desde que respeitadas as
condições estipuladas pelas legislações perti -
nentes, para o local e para o tamanho da pro -
priedade. A restauração com SAFs também é
prevista em dispositivos legais de Compensação
Ambiental e Restauro Voluntário (para saber
mais sobre a legislação, consulte: Lopes e
Chiavari, 2024). Além disso, os sistemas agro-
florestais podem ser implementados em áreas
legalmente abertas (áreas de uso alternativo
do solo), com foco em produção de alimentos
conciliada a recomposição da biodiversidade e
de serviços ecossistêmicos. Neste caso tam -
bém cabe avaliar a necessidade de informar o
órgão competente e de submeter o plantio a um
Licenciamento Ambiental.
Há diversos tipos de SAFs, desde mode -
los mais simplificados, com poucas espécies
e menor necessidade de manejo, até sistemas
altamente complexos, com maior biodiversidade
e maior intensidade de manejo. O objetivo de
ocupação da área que irá determinar a compo-
sição do sistema. Há também vários sistemas
intermediários, cada qual com denominações
distintas. Alguns SAFs são voltados para a criação animal por meio da associação entre
pastagens e árvores, denominados sistemas
silvipastoris. Quando há presença de espécies
agrícolas e florestais simultânea ou sequencial -
mente à criação dos animais, os sistemas são
denominados de sistemas agrossilvipastoris.
Já sistemas agrossilviculturais se referem a
consórcios em que culturas agrícolas anuais se
associam a espécies florestais (ICRAF, 2016).
SAFS NO CERRADO:
DEFINIÇÕES
O bioma Cerrado, per si, abriga diversas
fisionomias vegetais, abarcando as formações
florestais (mata ciliar, mata de galeria, mata
seca e cerradão), formações savânicas (Cerrado
típico, vereda) e formações campestres (cam -
pos) (Pontes e Zanatta, 2020). Se a área já
estiver muito alterada, é possível observar a
fitofisionomia do entorno como referência. O
escopo deste estudo não foca em aprofundar
nas espécies e questões técnicas da implemen -
tação, de forma que sugere-se apoiar na biblio-
grafia listada para tal.
Capítulo 1: Os Sistemas Agroflorestais | 5
Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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