SAF Cerrado 2025

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SAFS NO CERRADO: DESAFIOS E OPORTUNIDADES Um primeiro desafio para a expansão de SAFs no Cerrado é a escassez de estudos cientí - ficos que fundamentem a aplicação de cada téc - nica a diferentes contextos (Cava et al., 2016). As espécies vegetais savânicas e campestres são ainda menos estudadas formalmente, o que justifica abarcar conhecimentos tradicionais na concepção do sistema (NEA-Cambondá, 2022). Ainda há outros obstáculos como a baixa produção e disponibilidade de mudas nativas, o crescimento lento que demanda o controle das gramíneas exóticas, os fatores limitantes do meio físico, a falta de planejamento adequado e o baixo acesso a mão de obra e conhecimento (Cava et al., 2016, ICRAF). Para pequenos pro - dutores, os desafios são os baixos preços rece - bidos pelos produtos e o baixo domínio das etapas de produção, que impedem maior apro- veitamento dos produtos e agregação de valor. Para as cooperativas, os maiores obstáculos são a dificuldade de acesso à crédito, e a falta de capital de giro, que permite maior estabilidade, garantia dos preços pagos aos produtores, adiantamento e pagamento à vista. Já os com - pradores chamam atenção para a dificuldade de encontrar fornecedores, para a alta rotatividade destes e para os padrões variáveis de qualidade dos produtos fornecido pelos produtores ou coo - perativas (Burgos e Mertens, 2024). Porém, há uma crescente insurgência de ini- ciativas que buscam lidar com esses desafios e construir experiências práticas de implementação e processamento de produtos típicos do Cerrado. As oportunidades econômicas dentro da cadeia estão ligadas a um cenário promissor para inves - timentos em novos produtos e empreendimentos que priorizam a sustentabilidade e as questões socioambientais, através de práticas que exercem menor impacto nos ecossistemas e nas comuni- dades agroextrativistas. No entanto, essas opor - tunidades devem ser igualmente distribuídas entre os diferentes participantes das várias etapas da cadeia, não só beneficiando aqueles agentes que dispõem de maior capital, conhecimento e SISTEMAS AGROCERRATENSES Sistemas Agrocerratenses são propostas específicas para as formações savânicas ou cam - pestres do Cerrado, com uma proporção adequada de espécies agronômicas e nativas Entre as nativas, deve-se considerar a distribuição sucessional de espécies com diferentes formas de vida: herbáceas, arbustivas e arbóreas. Elas devem ser comuns na região e que promovam a infiltração de água, formação do solo, atração de fauna e adubação. As plantas agronômicas selecionadas devem estar adaptadas às características do ambiente savânico, e não devem ter potencial invasor. No Sistema Agrocerratense sugere-se a pluriatividade econômica, e que sejam incluídas espécies com as funções: facilitadoras (cobertura do solo e apoio ao desenvolvimento de outras), diversidade, forrageiras (podem servir de alimentação aos animais e cobertura do solo), alimen- tícias, medicinais, estéticas e uso para artesanato (NEA-Cambondá, 2022). O plantio pode se dar por plantio de mudas ou plantio de sementes em linhas. Para áreas menores em que não há o desejo de mecanizar, pode-se usar o plantio por muvuca ou lanço de sementes.tecnologia, mas também o produtores / extrati- vistas (Burgos e Mertens, 2024). Como exemplo, o desenvolvimento da cadeia produtiva do baru baseada na agricultura familiar e no extrativismo foi destacado como uma boa opção para a redução do êxodo rural e, particularmente, como uma oportunidade para fomentar a autonomia, a emancipação e o empoderamento das mulheres no campo por meio da ampliação do seu protagonismo na economia rural (Burgos e Mertens, 2024). Para impulsionar este impacto, sugere-se que sejam priorizados contratos de parceria e inte - gração com agricultores familiares, para que estes tenham protagonismo sobre a produção e gestão do território. Trabalhando com esse público, também há necessidade e oportunidade de impulsionar o acesso a mercados, capaci - tando os produtores e cooperativas em tópi - cos de gestão, fortalecendo as redes e criando circuitos curtos de comercialização (Burgos e Mertens, 2024). SAFS NO CERRADO: ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO Atualmente, estes sistemas estão presen- tes em torno de 52 mil propriedades no Cerrado (IBGE, 2017). Os Gráfico 1 e Gráfico 2 indicam a distribuição desse modelo no Brasil, no Cerrado e na Amazônia (para comparação). As proprie- dades foram divididas em: • Agricultura Familiar (AF) sem SAF: proprieda - des de agricultura familiar que não possuem sistemas agroflorestais como parte do uso da terra. • Agricultura Familiar com SAF: agricultura fami - liar que engloba sistemas agroflorestais. • Outras classes sem SAF: propriedades que não se classificam como agricultura familiar e não possuem sistemas agroflorestais. • Outras classes com SAF: propriedades que não se classificam como agricultura familiar, mas possuem sistemas agroflorestais. O Gráfico 1 mostra que, embora a agricul - tura familiar (azul e verde) represente o maior número de propriedades, ela ocupa uma área menor do que as outras classes de produtores rurais (Gráfico 2). Em relação à adoção dos SAFs, em média 7% dos proprietários rurais da Amazônia e do Cerrado possuem sistemas agroflorestais, sendo 7% e 7,2% respectivamente de adoção na AF, e 6,9% e 6,8% em outras classes, respectiva - mente para os biomas. Porém, cabe ressaltar que a agricultura familiar supera as demais classes de produtores rurais em número de proprie - dades, de forma que essa porcentagem repre - senta um número muito maior de propriedades. Quanto a área, os SAFs ocupam em torno de 2% da área da AF e em torno de 3% para as outras classes, que totalizam muitos mais hectares com este uso do solo. Capítulo 1: Os Sistemas Agroflorestais | 6 Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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