SAF Cerrado 2025

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complexidade ecológica, a implantação de um sistema agroflorestal apresenta custos altos de investimento inicial, em relação a agricultura convencional. Estes custos recaem principal - mente nas atividades de preparo mecanizado de solo, correção de acidez, aumento de fertili- dade e aquisição de mudas. Esse alto custo de implantação, somado à comum descapitalização do produtor rural e a sua dificuldade de acesso a crédito (Santana, 2017) desencoraja o empreen - dimento em iniciativas agrícolas agroflorestais. 3. Cadeia produtiva e de serviços pouco desen - volvida para a prática agroflorestal. A cadeia produtiva e de serviços agrícolas está construída para atender as demandas de sistemas convencionais de plantio. A cadeia agroflorestal tem especificidades ainda não suficientemente atendidas, e níveis de formalização da força de trabalho baixos e pouco capilarizados no meio rural. Entre as principais demandas que ainda precisam ser atendidas, estão: mão de obra espe - cializada e frequente; máquinas, implementos e ferramentas agrícolas específicas; a alta necessi - dade de mudas, sementes e materiais vegetati - vos de boa qualidade, de espécies variadas e com rigoroso controle fitossanitário; processamento e beneficiamento de produtos diversos. 4. Mercados consumidores pouco trabalhados e não institucionalizados. É necessário que as iniciativas de restauração agroflorestal tenham respaldo no mercado. Para isso, a valorização de cadeias produtivas da sociobiodiversidade através da instituciona- lização e expansão de mercados voltados para produtos oriundos da produção agroflorestal é essencial. Iniciativas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa Nacional de Alimentação 1. É importante verificar as especificidades das normativas estaduais que regem os processos de regeneração de áreas de Reserva Legal.Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) são ótimos exemplos da ação estatal para a alavancagem desse mercado, sem embargo, faz-se necessário que essa expansão ocorra também no setor privado. Atuar sobre um modelo de negócio que disponibiliza conhecimento técnico, recur - sos financeiros e garantia de mercado para a implantação de SAFs em pequenas, médias e grandes propriedades por meio de contratos de arrendamento, parceria rural e integração, se apresenta como uma potente estratégia de desenvolvimento territorial. Nos locais onde o modelo é aplicado, cria-se uma pressão pelo amadurecimento dos diferen - tes elos da cadeia da restauração agroflorestal: formalização e capacitação de mão de obra e serviços mecanizados próprios e terceirizados; coleta de sementes e produção de mudas de qualidade; fornecedores de insumos adequados para a produção agroflorestal; e consolidação de mercados. Bem como por iniciativas e organiza - ções que atuem na catalização dos processos de desenvolvimento da cadeia, mapeando, capaci - tando e fortalecendo os elos da mesma. Como primeiro passo no desenho de mode - los de desenvolvimento territorial para as ecor - regiões de Formação Florestal no Cerrado, fito- fisionomia predominante na região de transição entre Cerrado e Amazônia, este trabalho busca apresentar e analisar um Sistema Agroflorestal adaptado a dita fitofisionomia. O sistema produ - tivo proposto pode ser implantado tanto para a recuperação de Áreas Consolidadas como para a regeneração de áreas de Reserva Legal, uma vez que cumpre com os requisitos postos pelo Artigo 66, parágrafo terceiro da Lei Nº 12.651, de 25 de maio de 2012 (Código Florestal, 2012)1.2. METODOLOGIA Para garantir o papel restaurativo dos sis - temas produtivos, bem como seu potencial de replicabilidade e escala, os arranjos agroflores- tais da Belterra Agroflorestas seguem premis- sas que possibilitem e garantam biodiversidade, estratificação, cobertura do solo, alta produti - vidade e tecnificação das atividades de plantio, manejo e colheita. O desenho do sistema pro - dutivo inclui espécies florestais, perenes, anuais, de serviço e de cobertura de solo. Os designs agroflorestais dos modelos pro- dutivos para as fitofisionomias de formação florestal no Cerrado têm como espécies pere - nes o Baru (Dipteryx alata), o Pequi (Caryocar brasiliense ) e a Macaúba (Acrocomia aculeata ). Essas espécies foram selecionadas pela sua importância nas cadeias da sociobiodiversidade do Cerrado e pela capacidade de crescimento de seus mercados. O Baru é uma árvore nativa do Cerrado, atinge em média 15 metros de altura, está associado a uma grande variedade de polini - zadores (Rede Cerrado, 2019) e produz cas - tanhas com alto valor nutritivo que podem ser consumidas in natura ou torradas. Em 2022, o mercado global de castanha de Baru foi valorado em 5,1 milhões de dólares e com uma expecta- tiva de crescimento de 25% ao ano até 2032, quando deverá atingir um valor de 47 milhões de dólares. O Brasil se coloca como o principal exportador de castanhas de Baru do mundo, abastecendo cerca de 50% do mercado inter - nacional, cifra que deve passar a 60% até 2032 (Market Research Survey, 2023). Sua cadeia produtiva está intimamente ligada as comuni - dades extrativistas do Cerrado, de forma que o desenvolvimento da cadeia produtiva do Baru se apresenta como uma boa oportunidade para a conservação da sociobiodiversidade do bioma (CDS/UnB, 2022).O Pequi, árvore frutífera nativa do Cerrado, desempenha um papel importante na economia e nas dinâmicas naturais e no processo de res- tauração ecológica do bioma, dado que a espécie é uma pioneira no processo de sucessão ecoló- gica (Silva et al., 2020; Silva et al., 2021). Assim como no caso do Baru, o mercado do Pequi apre - senta crescimento e oportunidades de expansão. Em 2020, o relatório de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (IBGE, 2020) indicou o crescimento de 122,7% no valor da produção da cultura em relação a 2019, alcançando a cifra de R$ 45,1 milhões. A Macaúba é uma palmeira rústica e nativa do Brasil, com ampla ocorrência no Cerrado. A espécie apresenta grande potencial de produção de óleos e biocombustíveis, e se coloca como uma opção resiliente e sustentável para atender a crescente demanda por óleos vegetais – hoje suprida majoritariamente pela cultura do Dendê (Elaeis guineenses), que abastece aproximada - mente 45% do mercado mundial de óleos, e pela Soja (Glycine max), que abastece cerca de 28% (Embrapa Agroenergia, 2022). É importante ressaltar que tanto o Baru como o Pequi, selecionados como espécies perenes com objetivo produtivo, são espécies florestais e contribuirão com a formação do dossel dos SAFs. Em complemento a elas, foram selecionadas como culturas florestais: a Aroeira (Miracruodron urundeuva); a Copaíba (Copaifera langsdorfii); a Embaúba (Cecropia pachystachya); Jatobá do Cerrado (Hymenaea stigonocarpa); Louro Pardo (Cordia trichotoma); Ipê Amarelo (Tabebuia ochracea); Mutambo (Guazuma ulmi- folia); Cedro (Cedrela fissilis); e o Jenipapo (Jenipa americana). Como cultura anual, foi selecionada a Mandioca (Manihot esculenta), devido a sua rusticidade, aceitação cultural e de mercado. Capítulo 4: Estudos de Viabilidade Econômica | 22 Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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