SAF Cerrado 2025

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WRI BRASIL E WWF-BRASIL ESTUDO DE VIABILIDADE ECONÔMICA DE SACIS (SISTEMAS AGROCERRATENSES) NO CERRADO BRASILEIRO Autores: Mariana Oliveira1, Virginia Antonioli1, Vinicius Almeida1, Julio Alves1, Abílio Vinícius Barbosa Pereira2, Veronica Maioli2, Robson Capretz2 , Thiago Belote Silva2, André Cavalhedo³ 1: WRI Brasil; 2: WWF-Brasil; 3: Pesquisa e Conservação - Pequi CONTEXTO Os Sistemas Agrocerratenses (SACIs ou SACE) são uma tecnologia social que utiliza espécies nativas do Cerrado em seus diferen - tes estratos: herbáceos, arbustivos e arbóreos. Eles representam uma inovação significativa na produção sustentável de alimentos no Cerrado brasileiro, ao combinarem práticas de restauração de ecossistemas com a produção de alimentos e produtos da sociobiodiversidade nativa, podendo produzir também sementes que são utilizadas em projetos de restauração. Ao priorizar espécies nativas cerratenses, os SACIs não apenas preservam a biodiversidade local, mas também simulam as condições naturais das savanas tropicais , o que aumenta a resiliência ecológica dos sistemas restaurados. Os SACIs nascem da constatação de que os sistemas agroflorestais (SAFs) comuns, com poucas ou nenhuma espécies nativas do Cerrado, não davam conta da restauração ecos - sistêmica das fisionomias cerratenses e suas complexidades próprias, como seus aspectos savânicos e campestres. Esse esforço de ade - quar os SAFs à realidade do Cerrado foi cons - truído pelo Instituto Federal de Brasília (IFB), Núcleo de Agroecologia Candombá, Núcleo de Agroecologia UnB/CDS/Nexus, Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera), Tikré Brasil, Pequi e WWF-Brasil. Em 2022, foram implementados 3,5 hec - tares com as técnicas dos SACIs em áreas de terra de famílias de agricultores dos assenta - mentos da Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Oziel Alves III e Roseli Nunes, em Planaltina, Distrito Federal. No ano seguinte, o desenvolvimento da abor - dagem seguiu através de experiências modula- res lideradas pela Organização da Sociedade Civil Pequi (Pesquisa e Conservação) em qua - tro outros territórios da Reforma Agrária nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Figura 1). Um dos principais desafios enfrentados no Cerrado é a severa degradação do solo, que em sua grande maioria ocorre em decor - rência do manejo inadequado de pastagens, que tem menos cobertura foliar, retêm menos água e são menos nutritivos para os animais, contribuindo para uma pecuária de baixa pro - dutividade. Assim, a reabilitação dessas áreas é fundamental para recuperar os serviços ecossistêmicos e promover a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Essa atividade pode ser associada a implementação de sistemas integrados, como a lavoura-pecuária-floresta nos SACIs, potencializando serviços ecológicos como a ciclagem de nutrientes e a regulação hídrica . O impacto social dos SACIs é triplo, pois além de gerar renda através da comercialização dos produtos cultivados, aumenta a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras e fortalece conhecimentos coletivos e ancestrais 1, e, portanto, também têm um impacto positivo na manutenção da diversidade cultural e alimen - tar do bioma. Dadas estas múltiplas funções, o 1. As seguintes informações que estabelece o arcabouço jurídico sobre PCT: https:/ /www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2007 /Decreto/D6040. htm e https:/ /www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2016/ decreto/ d8750.htm 2. Um bom exemplo de restauração com fins produtivos com espécies nativas é o projeto Verena (Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas), o qual visa impulsionar e acelerar a restauração de áreas degradadas por meio do reflorestamento com espécies nativas e da adoção de sistemas integrados em grande escala. Podendo ser acessado no sítio: https:/ /www.wribrasil.org.br/projetos/projeto-verena fortalecimento e articulação de organizações comunitárias locais é crucial para o sucesso dos SACIs. A capacitação e o engajamento das comunidades permitem a gestão coletiva dos recursos naturais e facilitam a disseminação de práticas sustentáveis. Nesse sentido, a troca de conhecimentos dentro dessas organizações cria um ambiente favorável para a adoção de novas técnicas e inclusão de conhecimentos tradicionais. A restauração com fins produtivos - que inclui a silvicultura de nativas -, por sua vez, aparece como uma estratégia complementar e com potencial economicamente viável para a recuperação de áreas degradadas2 , face os Figura 1: Mapa dos munícipios e assentamentos base para o estudo. Elaboração: Viviane dos Santos/WRI Brasil Em parceria com: Capítulo 4: Estudos de Viabilidade Econômica | 28 Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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