SAF Cerrado 2025
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modos atuais de uso da terra em atividades eco -
nômicas. Considerando a complexidade da pai -
sagem do Cerrado, essa abordagem não apenas
restaura a biodiversidade, mas também oferece
uma alternativa econômica sustentável. A inte-
gração de espécies nativas em modelos de inte -
gração lavoura-pecuária-floresta fortalece ainda
mais a resiliência dos sistemas produtivos, ao
mesmo tempo em que contribui para a conser -
vação do solo, a regulação do ciclo hidrológico
e a diversificação das fontes de renda ligadas à
restauração de ecossistemas.
Essa diversificação abarca o excedente do
autoconsumo das culturas alimentares (como
mandioca, gergelim, feijão-catador, amendoim e
outros) e espécies frutíferas exóticas que podem
ser comercializados em feiras e no acesso ao
mercado institucional em programas de com -
pras públicas como o Programa de Aquisição
de Alimentos - PAA e o Programa Nacional de
Alimentação Escolar - PNAE. Também inclui a
comercialização de espécies demandadas por
projetos de restauração, em especial os capins
e espécies utilizadas na adubação verde, assim
como frutos da sociobiodiversidade do Cerrado
, integradas em um mesmo sistema.
Essa abordagem integrada — que une
restauração ecológica, inclusão social e desenvolvimento econômico — reforça a impor -
tância dos SACIS uma possível alternativa de
modelo sustentável para o Cerrado, capaz de
conciliar a preservação ambiental com o desen -
volvimento social, econômico, organizacional e
ambiental, com práticas de valorização da cul -
tura tradicional, em especial a alimentar e a do
uso medicinal das plantas do Cerrado.
Um mecanismo interessante de promover a
restauração do Cerrado, estimulando a autono -
mia do seu povo e dos estabelecimentos agrope -
cuários, é a sua conexão com experiências asso -
ciativas. É o caso da Comunidade que Sustenta
a Agricultura (CSA), uma prática exitosa que
pode contribuir com o escoamento dos alimen -
tos nos SACIs, criando uma relação direta entre
quem produz e quem consome. Com um custo
fixo, a Comunidade (grupo de consumidores que
se tornam coagricultores) se compromete com
os custos da produção dos alimentos em cotas
e, em contrapartida, recebe uma cesta semanal
de alimentos, especialmente verduras, legumes
e frutas. Essa relação extrapola as dinâmicas
financeiras entre as partes produtora agrícola e
consumidora, promovendo um espaço de valori -
zação imaterial da produção dos alimentos e das
pessoas participantes desse processo.
METODOLOGIA
Para a elaboração de uma análise de viabili -
dade econômica foram utilizados como pressu -
postos as distintas características de produtivi -
dade dos ativos biológicos das experiências em
pequenos lotes de assentamentos da reforma
agrária em Mambaí-GO e Damianópolis-GO, de
onde foram retirados as estatísticas e as diferen -
tes composições dos SACIs, que foram imple -
mentados em vegetação de mata de galeria e
cerrado sensu stricto, que hoje são pastagens
degradadas. Vale ressaltar que existe uma larga gama de possibilidades de seleção e plantio de
espécies nativas e exóticas que podem compor o
SACI, e na construção dos modelos foram consi -
deradas as espécies mais frequentes e rentáveis
encontradas nas propriedades experimentais.
Dessa forma foi realizada uma análise da via -
bilidade financeira e dos retornos ajustados ao
risco utilizando a metodologia de fluxo de caixa
descontado (Damodaran, 2012), conforme
sugerido por Batista et al. (2017). A partir desta
metodologia, com uma taxa de desconto (TD) de 10%, foram desenvolvidos indicadores de viabi -
lidade financeira como payback descontado, taxa
interna de retorno (TIR) e valor presente líquido
(VPL). Ademais, o valor dos ativos provenien -
tes de produtos da economia real, que envolvem
risco de retorno, pode ser ajustado através da
taxa de desconto aplicada sobre as receitas dos
produtos gerados pelos SACIs. No entanto, nesta
análise, adotamos valores conservadores e rela -
tivamente baixos para o capital natural, enten -
dendo também que os resultados poderão ser
ajustados frente a realidade do agricultor caso
tente replicar esse modelo.
Foram analisados as experiências nos assen -
tamentos supracitados, mas como cada lote
seguiu diferentes distribuições na construção do
seu SACI, criamos modelos inspirados nas expe -
riências e suas distribuições, sendo esses dois
modelos: o Modelo 1 , voltado para a segurança
alimentar e nutricional, e comercialização para
os programas PNAE/PAA com espécies nativas
e exóticas ao Cerrado, e o Modelo 2, mais
focado em pomares produtivos e espécies nati -
vas (descrição e espécies detalhadas no Anexo).
Ambos utilizam mudas e sementes, e contam
com custos auxiliares relacionados à irrigação,
aceiros e cercamento.
Os dois modelos também têm potencial
para gerar renda extra por meio da instalação
de caixas de abelhas, preferencialmente nati -
vas. No sistema, sorgo e crotalária são inicial -
mente cultivados e posteriormente cortados,
sendo incorporados como cobertura vegetal
para manter a umidade do solo e controlar a
braquiária e outros capins exóticos invasores.
Adicionalmente, caso haja criação de gado na
propriedade, o sorgo pode ser cortado e ser -
vido no cocho aos animais, aumentando sua
nutrição. Além disso , sementes de gergelim,
feijão-guandu, feijão-de-porco e crotalária foram
incluídos nas linhas como adubação verde e para
controle de herbivoria, podendo reduzir os cus-
tos da implementação dos projetos, e ao mesmo tempo representar uma fonte adicional de renda
caso as sementes sejam comercializadas para
outros projetos de restauração.
No modelo 1, há possibilidade de cultivo de
hortaliças em uma das bordas, caso haja dis -
ponibilidade de irrigação, e possui um espaça -
mento maior entre as linhas para acomodar as
espécies alimentícias nas entrelinhas do plantio.
As espécies alimentícias e as árvores (tanto nati -
vas quanto exóticas) incluídas nos modelos são
geralmente compatíveis com as listas de com-
pras do PNAE . Nos dois modelos mesmo tendo
os gastos relativos à implementação do sistema
de irrigação e todos os custos de mantimento,
existe ainda a possibilidade de incluir os custos
de um sistema de captação de água de chuva
nos telhados para irrigar o sistema. No anexo
está citado as possíveis espécies para cada linha
de plantio, mas na construção dos modelos foi
delimitado para poder projetar o potencial de
receita e custo de cada modelo. Dessa forma
foi definido que no modelo 1 a receita é advinda
das árvores do tipo 1 (Baru e Pequi), árvores do
tipo 2 (Banana e Aroeira-pimenteira), agronô -
mica arbustiva (milho e mandioca), agronômica
herbácea (açafrão e ora-pro-nobis) e nas entre -
linhas muvuca adubadeiras (Gergelim e Feijão
Guandu).
No modelo 2, em vez de espécies alimen -
tícias nas entrelinhas, incluiu-se o plantio de
capins nativos que podem trazer rentabilidade
através da venda das sementes para restaura -
ção (média de R$ 80,00/kg). Adicionalmente,
a baixa manutenção e a baixa necessidade de
replantio torna-os vantajosos, além de valorizar
a biodiversidade do Cerrado e possibilitar forne -
cer insumos para restauração em larga escala
de algumas regiões do bioma. E a apicultura é
uma ótima opção para incremento de renda,
no modelo os custos e receitas do ml foram
aplicados. As outras receitas deste modelo
provém das seguintes espécies: árvores do tipo
1 (Baru e Pequi), árvores do tipo 2 (Banana e Em parceria com:
Capítulo 4: Estudos de Viabilidade Econômica | 29
Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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