SAF Cerrado 2025

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5 caixa de abelha, 5 enxames e 1 EPI (macacão apicultor, luvas e botas). Os custos de manu - tenção dos modelos têm uma diminuição das despesas operacionais de implementação em 40%, pela diminuição da área que necessita de roçagem e limpeza, já o aceiro só precisará de reparos anuais. Já as receitas são onde estão as maiores diferenças entre os modelos, mesmo tendo uti- lizado algumas espécies iguais nem toda a sua composição é similar, tendo também a distinção de adensamento. Para dar viabilidade financeira a partir do ano de implementação foram culti - vadas espécies de ciclo curto, como no modelo 1, o milho, feijão de corda, gergelim, mandioca e ora-pro-nobris. Para o mesmo modelo tem a banana que começa a produzir após um ano do plantio, e outras espécies que demorarão 3 a mais anos para as primeiras colheitas que é o baru, aroeira pimenteira, pequi e açafrão. No modelo 2 as receitas de ciclo curto advêm do cultivo de sorgo, feijão guandu, mandioca, cará e das sementes do capim nativo. Neste modelo para além das espécies de ciclo curto também foram plantadas a banana, baru, pequi, aroeira pimenteira e pequi. E diferenciando do modelo 1, o modelo 2 tem o incremento da produção de mel e cultivo de abobora. Lembrando que os modelos apresentados são um misto de expe - riências e arranjos, podendo ser moldado com as diferentes espécies apresentadas no anexo frente a aptidão e realidade do produtor rural. Ambos os modelos demonstram potencial de retorno financeiro, mas com características distintas. A Taxa Interna de Retorno (TIR) de ambos os modelos se mostra bastante atrativa, superando significativamente a taxa mínima de atratividade (TMA). Sendo a TMA tem o mesmo valor de parâmetro que a TD, pois tais indicadores são usualmente utilizados em pro - jetos de investimento. Com a TIR superando a TMA indica que os projetos são capazes de gerar retornos superiores ao custo de capital investido. O Valor Presente Líquido (VPL) posi- tivo corrobora essa análise, quantificando o valor adicional gerado pelos projetos em relação ao investimento inicial. O Modelo 2 apresenta um VPL ligeiramente superior, sugerindo uma maior geração de valor em termos absolutos e isso é explicado pela composição de capim nativo entre linhas e as caixas de apicultura que não ocupam espaço significativo no sítio, lote ou no estabelecimento agropecuário e são capazes de gerar uma renda incremental ao modelo. Um indicador que é importante para ava - liarmos a viabilidade financeira do modelo é o Payback Descontado, que mede o tempo neces - sário para recuperar o investimento inicial con- siderando o valor do dinheiro no tempo, ambos têm o retorno do capital investido no ano 6. Cabe destacar que 5 anos é justo a época que algumas espécies começam a produzir ou estão prestes a produzir como baru, pequi, cajuzinho do cerrado entre outras, incrementando a renda. Esse indicador demonstra que os investimen - tos se pagam em um prazo relativamente curto, tornando-os atrativos do ponto de vista da liqui - dez. Outro indicador é a relação Benefício-Custo (B/C) indica que, para cada real investido, os modelos geram uma receita superior. O Modelo 2 apresenta uma relação B/C ligeiramente maior, sugerindo uma maior eficiência na utilização dos recursos, em que pese a necessidade de um pouco mais de recursos para implementação e manutenção. Em resumo, os dois modelos de SACI demonstram indicadores financeiros sólidos, sugerindo um potencial de retorno interes - sante para os proprietários. Contudo, a deci - são entre eles não deve ser baseada apenas na análise financeira, pois aspectos como impactos ambientais da propriedade e a preferência de produção entre um modelo ou outro vai depen- der também da tendência entre segurança ali - mentar e nutricional dos próprios agricultores ou da participação do proprietário nas políticas públicas como PNAE, como no Modelo 1. O Modelo 2 se sobressai levemente ao apresentar um VPL mais alto e uma relação Benefício-Custo mais vantajosa, o que indica maior geração de valor e uma utilização mais eficiente dos recur - sos, mas depende de uma cadeia de comércio local para os produtos produzidos. Sobre as des - pesas relativa as horas de trabalho deve ser feita uma ressalva, pois as experiências do sistema estão baseadas na agricultura familiar, logo, os custos relativos à mão-de-obra seriam anula - dos pelo trabalho não monetizado da família. Porém, para calibrar o modelo e entendendo que as famílias não necessariamente conseguiriam exercer todas as atividades laborais, foram con - tabilizados os custos monetários das atividades relacionadas à roçagem e limpeza mecanizada, e na construção dos aceiros. Entretanto, uma avaliação mais detalhada com um processo de escuta e acolhida dos envolvidos, desenhando sistemas que geram sentimento de pertenci - mento as pessoas e aos coletivos é crucial para considerar as particularidades de cada modelo e o contexto de propriedade em que serão apli- cados, garantindo a escolha mais adequada para cada situação. A título de comparação, estudo publi - cado pela Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura, com o apoio do WRI Brasil4 em 2021 apresentou 40 arranjos produtivos relacionados a Sistemas Agroflorestais, Silvicultura de Nativas e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, e por meio de projeções financeiras mostrou que a taxa de retorno dos investimentos gira entre 9,5% e 28,4%, mostrando o real potencial de ações com espécies nativas. SAFs em florestas tropicais úmidas no Brasil também apresentam taxas de retorno neste patamar, entre 13,5% e 20,7%, e relação benefício custo entre 1,6 e 1,8 se considerados períodos de 10 e 20 anos (Padovan et al. 2022). 4. Reflorestamento-com-especies-nativas-estudo-de-casos.pdf (coalizaobr.com.br)Neste contexto, faz-se relevante salientar que outros programas de incentivos à restauração, marcada - mente de caráter público, nacional ou subnacional, como planos nacionais ou estaduais de recuperação da vegetação nativa, poderiam fazer a diferença na escolha das modalidades e composição do SACI. Assistência técnica e extensão rural complementam estas escolhas de modo mais assertivo pelo proprietário e agricultor familiar. Projetos de capa - citação técnica, financiamento do cus - teio e formação de lideranças voltadas aos canais de comercialização local disponíveis poderiam alavancar e dar um pouco mais de escala às iniciativas. Sobressaem neste contexto o PAA e o PNAE, que garantem por lei o mínimo de 30% obrigatório de compras da agri - cultura familiar. Estudos sobre a viabilidade econômica de SAFs no Brasil mostram que tais sistemas podem ser alternativas viáveis para pequenos produtores, além de ter benefícios de recupe - ração ambiental (Bentes-Gama et al. 2005, Martinelli 2018). Modelos com mais espécies nativas mescladas com espécies de maior mer - cado em cenários locais podem ter melhores resultados financeiros que aqueles puramente com espécies nativas. Sistemas com alto custo de implementação representam uma barreira inicial para os produtores (Nascimento 2022).Em parceria com: Capítulo 4: Estudos de Viabilidade Econômica | 31 Sistemas Agroflorestais: Salvaguardas no contexto brasileiro e Viabilidade Econômica no Cerrado
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